Visitar o Vale do Silício não é como visitar um bairro turístico. Não há ingresso, não há portaria, e as empresas mais famosas do mundo ficam em prédios baixos, cercados por estacionamento, em cidades que parecem subúrbio. Quem vai esperando espetáculo se decepciona; quem vai sabendo o que dá para ver aproveita bastante.
Este texto é sobre o que de fato está aberto ao público, o que não está, e como montar meio dia de carro entre Cupertino e Mountain View.
Não é uma cidade: é uma faixa de cidades ao sul de San Francisco, na região da baía. Cupertino, Mountain View, Palo Alto, San Jose e Menlo Park são as mais citadas, e ficam a poucos minutos umas das outras pela rodovia.
A consequência prática: sem carro, o passeio não fecha. O transporte público existe, mas liga centros de cidade, e as sedes ficam em avenidas de escritório onde ninguém anda a pé.
O prédio circular da Apple é fechado ao público — não há tour, não há entrada, e de fora quase não se vê nada, porque ele é cercado por árvores de propósito.


O que está aberto é o Visitor Center, do outro lado da rua: uma construção de vidro com loja, café no terraço e uma maquete do campus. É de graça, abre todos os dias e é o ponto mais organizado de toda a região para quem está de passagem.
Vale reservar quarenta minutos. A loja vende itens com a marca do endereço, que não existem nas outras lojas da rede, e o terraço é o único lugar de onde se tem alguma vista do anel.
O Google não tem centro de visitantes, mas o campus é aberto para circular de carro e a pé pelas áreas externas. É onde está a placa com o nome da empresa que todo mundo fotografa, e onde ficam as bicicletas coloridas que os funcionários usam entre prédios.

Há também um jardim com estátuas das versões do Android — cada uma representa um lançamento do sistema, com o nome de doce que aquela versão recebeu. Fica em área externa e é o ponto mais visitado do campus.
Importante: os prédios, os restaurantes e as áreas de lazer são para funcionários e convidados. Circular por fora é tolerado; entrar não é. Vale respeitar a placa, porque o campus continua sendo um local de trabalho.

A ordem geográfica que funciona, vindo de San Francisco, é descer pela rodovia e ir parando: Stanford e a garagem da HP em Palo Alto, depois Mountain View com o Google, e por último Cupertino com o Apple Park. Assim você não volta atrás.
Meio dia dá conta, contando deslocamento. Um dia inteiro cabe se você acrescentar o museu e almoçar sem pressa. Além disso, prefira dia de semana: no fim de semana os campi ficam vazios, o que tira parte da graça de ver a coisa funcionando.
Quem vai combinar com a cidade encontra o roteiro em San Francisco em dois dias.
Depende do que você espera. Como atração visual, é fraco: prédios de escritório e estacionamento. Como lugar, é outra coisa — dá para estar na calçada da empresa cujo produto está no seu bolso, e isso tem um peso que a foto não transmite.
Para quem trabalha com tecnologia, meio dia é bem gasto. Para quem não tem esse interesse, o mesmo tempo rende mais em San Francisco.